Você não precisa saber o nome do problema.

Algumas pessoas chegam com um diagnóstico. Outras chegam com um exame, um sintoma, uma suspeita ou simplesmente porque perceberam que alguma coisa mudou. O primeiro passo é entender o que está acontecendo. Nem sempre existe uma resposta definitiva na primeira consulta. Mas deve existir um caminho: tratar, investigar melhor, acompanhar, rever uma explicação ou, quando necessário, procurar outro profissional.

Algumas distinções fazem diferença

Nem todo exame alterado explica o sintoma.
Nem toda dor na coluna precisa de cirurgia.
Nem todo ronco é apneia.
Nem todo esquecimento é demência.

Coluna

O que pode trazer você à consulta : Dor nas costas ou no pescoço. Dor que desce para o braço ou a perna. Ciática. Formigamento. Dormência. Perda de força.
Ou uma ressonância que mostrou hérnia de disco, desgaste, estenose ou outras alterações e deixou a dúvida:
isso explica o que eu sinto?
O que tentamos entender : A consulta tenta descobrir se o que aparece na ressonância combina com os seus sintomas.
Também avaliamos onde dói, para onde a dor vai, se existe perda de força ou sensibilidade e como o problema começou e mudou com o tempo.
Nem toda alteração encontrada na imagem causa problema.
E depois? Dependendo da situação, o tratamento pode envolver medicamentos, fisioterapia ou outras formas de reabilitação, acompanhamento, procedimentos para dor ou cirurgia. Por isso, uma ressonância alterada não significa, por si só, que seja preciso operar.

Dor persistente

O que pode trazer você à consulta: Uma dor que não foi embora como você esperava.
Talvez já tenham sido tentados vários tratamentos. Talvez a dor tenha começado a atrapalhar o sono, o movimento, o trabalho, o lazer ou a vida em casa.
Também atendemos dores causadas por nervos, neuralgias, dor que persiste depois de uma cirurgia e outros quadros de dor prolongada.
O que tentamos entender: Como a dor começou. O que aconteceu desde então. O que já foi tentado. O que piora ou melhora. E, principalmente, o que essa dor está impedindo você de fazer.
Nem sempre existe uma única lesão ou um único exame capaz de explicar tudo.
Não encontrar uma explicação simples não significa que a dor não seja real.
E depois? O tratamento pode envolver medicamentos, movimento, fisioterapia ou outras formas de reabilitação e recuperação das atividades.
Em algumas situações, um bloqueio ou uma infiltração pode ajudar.
O procedimento é uma ferramenta. Não é o ponto de partida de todo tratamento.

Cefaleias e enxaqueca

O que pode trazer você à consulta : A dor de cabeça volta, muda seus planos ou parece estar ocupando cada vez mais espaço na sua vida.
Pode haver enjoo, incômodo com luz, sons ou cheiros, alterações na visão, tontura ou outras sensações.
Mas a enxaqueca nem sempre fica restrita ao momento em que a cabeça dói.
Algumas pessoas percebem dor ou rigidez no pescoço, cansaço, irritabilidade, dificuldade para se concentrar ou mudanças no sono antes ou junto da crise.
Depois, pode ficar uma espécie de “ressaca”, com cansaço, lentidão ou dificuldade para voltar ao ritmo normal. Algumas pessoas também percebem incômodos entre uma crise e outra.
Quando as crises são frequentes ou imprevisíveis, é comum começar a organizar os planos pensando se outra crise vai aparecer.
O que tentamos entender : Tentamos entender como as crises acontecem naquela pessoa: o que costuma vir antes, como é a dor, o que acontece junto, quanto tempo dura e como ela fica depois. Também queremos saber o que é antigo e conhecido e o que realmente apareceu agora ou mudou muito. Nem tudo precisa ser colocado dentro da enxaqueca. Se alguma coisa da explicação não combina com o que você sente, diga isso. Pode ser que seja preciso explicar melhor. Pode ser que aquela parte precise ser olhada de novo.
E depois? Algumas pessoas precisam principalmente de tratamento para usar durante as crises. Outras também precisam de tratamento para diminuir a frequência ou a intensidade delas. O tratamento é acompanhado ao longo do tempo porque as crises podem mudar – e a resposta ao tratamento também.

Sono

O que pode trazer você à consulta : Ronco. Pausas na respiração durante o sono. Dificuldade para dormir ou voltar a dormir. Muitos despertares. Sono que não descansa. Muito sono ou cansaço durante o dia. Também podem existir movimentos ou comportamentos estranhos durante a noite.
O que tentamos entender : O que acontece enquanto a pessoa dorme e como ela fica durante o dia. Às vezes quem dorme junto percebe coisas que a própria pessoa não percebe. Problemas diferentes de sono podem parecer iguais no começo. Por isso, nem todo mundo precisa do mesmo exame.
E depois? Dependendo da situação, pode não ser necessário nenhum exame. Quando é preciso investigar apneia do sono, pode ser usado o teste domiciliar para apneia – a poligrafia respiratória tipo III – em pacientes selecionados. Em outras situações, pode ser necessária uma polissonografia feita em laboratório. Quando o CPAP faz parte do tratamento, escolha e adaptação da máscara, ajustes e acompanhamento também importam.

Memória e doenças neurodegenerativas

O que pode trazer você à consulta : Talvez você tenha percebido alguma mudança em si mesmo. Mas muitas vezes é alguém da família que começa a notar.
A pessoa repete as mesmas perguntas. Se confunde com coisas que antes fazia sem dificuldade. Esquece compromissos importantes. Começa a ter problemas para organizar dinheiro, medicamentos ou tarefas da casa.
Se perde em lugares conhecidos. Ou muda o jeito de falar, agir ou se comportar. Nem toda doença que afeta o cérebro começa pela memória.
O que tentamos entender : A pergunta principal é: o que mudou em relação a antes?
Um esquecimento isolado diz pouco. É mais importante saber se algo vem mudando ao longo do tempo e se isso começou a atrapalhar a vida da pessoa.
Também procuramos outras coisas que podem afetar a memória e o raciocínio, como sono, medicamentos e outros problemas de saúde.
Sempre que possível, é útil ouvir a própria pessoa e também alguém que a conheça bem. Às vezes os dois percebem a mesma coisa. Às vezes não
E depois? Algumas situações precisam apenas de acompanhamento. Outras precisam de exames para entender melhor o que está acontecendo.
Se houver uma doença como Alzheimer, Parkinson ou outra doença neurodegenerativa, o acompanhamento passa a observar como ela está mudando a vida da pessoa, o que continua preservado e que tipo de ajuda pode ser necessária ao longo do tempo.

Epilepsia

O que pode trazer você à consulta: Um apagão. Uma perda de consciência. Movimentos involuntários. Um olhar parado. Um período de confusão. Um comportamento estranho.
Ou simplesmente um episódio em que a pessoa não lembra de tudo o que aconteceu.
Também acompanhamos pessoas que já têm diagnóstico de epilepsia.
O que tentamos entender : Primeiro precisamos reconstruir o episódio. O que aconteceu antes? O que a pessoa lembra? O que alguém que estava perto viu? Como ela ficou depois? Nem todo episódio estranho é epilepsia. E ter uma crise não significa automaticamente ter epilepsia.
E depois? Dependendo da situação, podem ser necessários exames, inclusive EEG realizado fora da clínica, acompanhamento ou ajuste de medicamentos.
Casos mais complexos podem precisar de avaliação em centros especializados.
A Confortin & Marc não realiza EEG, não oferece cirurgia de epilepsia localmente e não funciona como serviço de urgência

Compressões de nervos

O que pode trazer você à consulta : Formigamento. Dormência. Dor. Perda de força. Talvez os sintomas estejam na mão ou no braço e a dúvida seja: o problema está no punho, no cotovelo ou no pescoço? Síndrome do túnel do carpo e compressão do nervo ulnar são alguns exemplos.
O que tentamos entender : Onde o sintoma aparece ajuda, mas não dá a resposta sozinho. Um nervo pode ser pressionado em um lugar e causar sintomas em outro. Por isso, examinamos força, sensibilidade e reflexos e tentamos descobrir qual nervo pode estar envolvido e onde está o problema
E depois? Alguns casos melhoram com acompanhamento e tratamento sem cirurgia. Em certas situações, o exame dos nervos chamado eletroneuromiografia pode ajudar a entender melhor onde o nervo está sofrendo.
Quando existe uma compressão importante e a cirurgia pode trazer benefício, explicamos o motivo, o objetivo e os limites do procedimento.

O objetivo é sair da dúvida com um próximo passo.

Nem sempre será possível dar um nome definitivo para tudo na primeira consulta. Mas deve ficar claro:
Às vezes o próximo passo é tratar. Às vezes é investigar melhor. Às vezes é acompanhar. E, em algumas situações, a melhor decisão é procurar outro profissional ou outro serviço.